O trabalho terapêutico com a linguagem simbólica do inconsciente profundo, permite uma leitura precisa, tanto do potencial interno de realização de cada paciente, como da dinâmica de relacionamentos interpessoais, quer seja na família, no trabalho ou no convívio social, permitindo ao psicoterapeuta auxiliar seus pacientes na mediação de conflitos, em diferentes contextos.
Tomando por base a dinâmica de um dos casos clínicos atendidos, passo aqui a analisar uma dinâmica familiar específica, entre um Leão, um Cavalo e um Macaco e as possíveis soluções para minimizar os conflitos surgidos na convivência diária:
O Leão é o Rei da floresta e tem consciência de sua força e do poder de suas garras e presas afiadas. Simbolicamente é um predador!... É selvagem, instintivo e caminha pela floresta (memórias transpessoais), bebe a água (busca conhecimento) no rio (fluxo da vida) e caça (expressão da agressividade), quando tem fome. Quando alimentado, descansa confortavelmente e pode ser mais pacífico.
O macaco, um animal silvestre sem a agressividade do Leão, também vive na floresta, pulando de galho em galho, em busca de novidades. Olha tudo de cima das árvores, sem se envolver diretamente. É um expectador dos acontecimentos, como se levasse notícias ao se lançar de um galho ao outro. Sua estratégia é fugir das situações de conflito, através da sociabilidade e do desejo de agradar aos outros, buscando o lado divertido dos acontecimento. E assim passa a vida!...
O cavalo já deixou de ser selvagem e não vive mais na floresta. Prefere o campo gramado (espiritualidade) , onde tem relva fresca, recebe a luz do sol (iluminação interior) e tem a água corrente do riacho que flui para o rio, que corre em direção ao mar, que a tudo dissolve... Segue o fluxo da vida!
Em princípio, não há afinidade entre os três. É como se vivessem em dimensões paralelas, cada um olhando o mundo através da sua própria janela de percepção. Embora pertençam ao mesmo reino evolutivo, vibram em diferentes faixas de energia: O Leão é bem terreno e instintivo; o Macaco não leva as coisas muito a sério; o Cavalo procura agir e seguir o seu caminho. Apesar das incompatibilidades deste convívio, cada experiência encerra uma aprendizagem evolutiva e contribui para a integração entre os opostos, até que os comportamentos se tornem complementares.
Ao Leão cabe observar o contexto e aprender a respeitar o espaço dos outros animais, direcionando a sua agressividade e capacidade de liderança, para metas construtivas; o Macaco, enquanto caça, precisa esvaziar o medo e confiar em suas estratégias de mediação de conflitos; ao Cavalo, cabe desenvolver paciência e compaixão para conviver com os aspectos mais instintivos dos outros dois. Assim é a evolução da consciência...
Sueli Meirelles, em 03 de Março de 2026.

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