quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O SUPER "EU" E O VERDADEIRO "EU" - Texto Complementar VII



       O perfeccionista precisa aprender a ser como realmente é em Cristo. Contudo quando se dispõe a ser como é de verdade, ele se depara com suas piores falhas e precisa de um tratamento mais incisivo e de uma reprogramação mais drástica.


        A mais terrível conseqüência do perfeccionismo talvez seja a alienação do verdadeiro “eu”. Vejamos como se inicia esta trágica perda e como se dá.
       Durante todo o processo de crescimento, a criança recebe informações sobre si mesma, sobre Deus e sobre outras pessoas, bem como seu relacionamento, com elas. Estas informações são dadas de forma direta, ou captadas por ela, intuitivamente. A criança recebe impressões diretamente através de palavras e ações, mas também pelo que se deixa de dizer ou fazer. Geralmente, é a soma de vários fatores. E o pequenino está sempre recebendo mensagens num processo lento mas constante, e bastante inconsciente. Então, aquele que recebe mensagens negativas chega à seguinte conclusão: “Não sou aceito nem amado do modo como sou. Já tentei todos os meios de obter a aprovação dos outros, sendo como sou. Agora só poderei ser aceito e amado se me tornar diferente, outra pessoa.” É óbvio que a criança não se senta, pensa e conclui isto. Ela nem se dá conta do que está se passando, isto é, que não está sendo satisfeita em suas necessidades básicas mais profundas, necessidades criadas por Deus (registros inconscientes) e que são essenciais ao desenvolvimento do ser humano. Ela nunca experimenta sentimentos de que precisa muito, sentimentos como segurança, aceitação, ajustamento e valor próprio. A necessidade que tem de ser amada e de amar a outras também nunca é satisfeita. Em vez disso, forma-se nela uma crescente e profunda ansiedade, bem como sentimentos de insegurança, desvalor e rejeição. E é assim, então, que o adolescente começa a longa e tortuosa caminhada para tornar-se outra pessoa.
       A tragédia disso tudo é que a Individualidade daquela pessoa, a individualidade por Deus projetada para ela não tem oportunidade de se desenvolver. Seus talentos próprios não são expressos. Seu verdadeiro “eu” é sufocado ou rejeitado e no lugar dele aparece um falso “eu”. Assim todas as energias espirituais que deveriam ser canalizadas para a formação de uma personalidade própria, de acordo com a Individualidade planejada por Deus, são desviadas para criar uma imagem falsa idealizada pela pessoa. Infelizmente, este processo de autodestruição não é detido quando a pessoa aceita uma religião. O perdão, a amorosa aceitação de Deus e a sua misericórdia penetram apenas algumas das camadas mais externas deste “eu” irreal, imprimindo-lhe um novo espírito de sinceridade. Mas quando a distorção da personalidade é mais grave e as emoções sofreram traumas fortes, é necessário haver uma cura mais profunda, pois muitas, vezes, aquele falso eu passa também para a vida espiritual e se ajusta às novas experiências religiosas.

O SUPER “EU” VERSUS O VERDADEIRO “EU”

       O que são o super “eu” e o verdadeiro “eu”? O super “eu” é uma imagem falsa, idealizada, que acreditamos precisar ter para sermos aceitos e amados pelos outros. O super “eu” é uma idéia imaginária que temos de nós mesmos. O que acontece é que fomos levados a crer que, se fôssemos nós mesmos, e se os outros nos conhecessem como somos, não nos amariam, e então nos esforçamos para nos tornarmos esse super “eu”, a fim de conquistarmos o amor e a aceitação dos outros. E ainda estendemos este tipo de raciocínio distorcido até Deus, que é Perfeição Absoluta, que exige perfeição, e a quem só podemos mostrar nosso lado bom. Só podemos deixar que Deus veja o nosso super “eu” e nunca, o nosso verdadeiro “eu”.
       Quando você entra na presença de Deus, em oração ou meditação, qual dos dois “eus” você Lhe mostra?
       Existem muitas maneiras sutis de apresentarmos a Deus o nosso super “eu”, e ocultarmos o verdadeiro. Uma destas maneiras é a FUTURÍSTICA. “Bem, Senhor, tu sabes disto e eu também o sei. Ainda não sou este super “eu”, mas algum dia o serei. Algum dia serei este super-cristão. Algum dia vou orar muito, ler muito e fazer coisas maravilhosas para ti. Algum dia serei como esta imagem idealizada que tenho de mim. Serei o super “eu”. Então, Senhor, não ligues para este verdadeiro “eu”. Ele é apenas temporário. Olhe para aquele “eu” que ainda vou ser.
       Existe também a maneira PENITENTE. E é assim que o perfeccionista adquire a imagem própria negativa e até o auto-desprezo. Diz ele: “Bem, Senhor, não olhe para o meu verdadeiro “eu”, com todos estes pecados, falhas e imperfeições. Não olhe para ele, pois está vendo o quanto desprezo este meu verdadeiro “eu”, não estás? E acredito que tu também desprezas este meu verdadeiro “eu”, com todas as minhas falhas e imperfeições. Mas tu sabes quais são as minhas metas, Senhor. Já que Tu odeias este meu verdadeiro “eu”, como eu odeio, podes ver que estamos do mesmo lado e, portanto, sou realmente o super “eu”. E deste modo, sutilmente, a auto-depreciação se torna uma perpétua mortificação para impressionar a Deus. Então esperamos que Ele nunca veja o nosso verdadeiro “eu”, mas olhe somente para o nosso super “eu”. E como pensamos que deus não tolera este nosso verdadeiro “eu”, feio e horripilante, e como estamos sempre dizendo a ele que também não o suportamos, ele deve estar muito impressionado como nossos altos valores, deve perceber como realmente somos e, portanto, aceitar-nos e amar-nos. O mal disto é que o nosso verdadeiro “eu” ficou emocionalmente preso em algum nível da infância e é por isso que nossa personalidade, às vezes, produz atitudes tão infantis. Ficamos parados em algum ponto do passado; nunca crescemos realmente. É claro que fisicamente temos o corpo de um adulto, mas espiritual e emocionalmente, vivemos num plano de imaturidade.

O SUPER “EU” E OS SENTIMENTOS

       É na área das emoções que o perfeccionista encontra seus problemas mais sérios, porque a imagem do super “eu” não admite certos sentimentos. Geralmente, ele tem uma imagem de Jesus que não é bíblica, de um Jesus manso, suave, dócil. É um Jesus mole demais, um ser estóico, que suporta tudo e nunca exterioriza suas emoções. Então, ele se mantém sob rigoroso auto- controle, e nunca manifesta seus sentimentos mais fortes. Entretanto, não existem boas ou más emoções. As emoções são apenas emoções. Elas resultam de toda uma gama de elementos que procedem de nossa personalidade. Nenhuma emoção, em si mesma, é pecaminosa. A maneira como agimos perante elas é que determinará se são erradas ou certas. A maneira como as dirigimos, determinará se elas nos conduzirão para o pecado ou para a justiça. As emoções, em si mesmas, são um aspecto muito importante de nossa constituição pessoal, que nos é dada por Deus.
       Uma emoção que o super “eu” geralmente considera errada é a raiva. Aprendi desde pequeno, uma noção desumana, anti-bíblica e altamente destrutiva de que a raiva sempre é uma emoção pecaminosa. Levei muitos anos para livrar-me dessas atitudes. Elas quase destruíram minha vida espiritual e meu casamento, pois tive que aprender a expressar minha raiva de maneira aceitável.
       Em Marcos 3.5, lemos que Jesus olhou “ao redor indignado”. Embora este seja o único texto do Novo Testamento que diz diretamente que Jesus se irou, podemos inferir, com toda segurança, que ele teve raiva também quando expulsou os vendilhões do templo e quando chamou algumas pessoas de “Insensatos e cegos”, “sepulcros caiados”, assassinos”, “serpentes e hipócritas” (Mateus 2.3). Jesus nunca foi mais divino do que nesses momentos em que manifestava uma ira ardente. Muitas vezes o amor anda de mãos dadas com a ira; e, na verdade, a ira resulta do perfeito amor.
       Por vezes temos um estratagema semântico (ressignificação ou racionalização) que parece muito adequado, mas que confunde as pessoas. Nós dizemos: _ Ah!, isso não é raiva; é ira santa. Porque não falamos abertamente e dizemos que existe um modo correto de usar a ira, e que a raiva, em si mesma, não é uma emoção pecaminosa? Seria bem menos confuso.
       O que realmente importa é a maneira como agimos com ela; o modo como a externamos e como a resolvemos. E quando temos essa falsa imagem de nós mesmos, este super “eu” que não pode ter nem expressar nenhum sentimento de raiva, tornamo-nos perfeitos receptáculos para distúrbios emocionais e depressão. Não devemos confundir, porém, raiva com ressentimento, pois são duas coisas totalmente diversas. Uma raiva controlada e expressa da maneira correta é uma coisa; descontrolada e expressa de modo errado é outra. O ressentimento, por sua vez, é a raiva contida. O apóstolo Paulo fez uma distinção bem nítida entre a raiva certa e o ressentimento. Ele comparou a raiva com o ódio, malícia, amargura e todas essas coisas, fazendo diferença entre elas. É interessante notar que ele usa um tom imperativo ao falar da ira. Irai-vos e não pequeis (Epístolas.4.26).  O que Paulo disse não foi: “está bem, vou permitir que vocês fiquem com raiva de vez em quando, para lhes fazer uma concessão.” O que ele ordenou foi: irem-se, tenham raiva... Mas logo acrescentou:_ “Mas tenham muito cuidado.” Ele sabia que a raiva pode nos levar a ressentimentos, malícias e amarguras, se não for controlada com muito cuidado. O que Paulo estava dizendo era o seguinte. “Expressem sua raiva, mas cuidado para que ela não os leve à amargura, ressentimentos ou ódio.” E o mais estranho em tudo isto é que, se não aprendermos a externar nossa ira completamente e a resolver a dificuldade, poderemos tornar-nos ressentidos e amargos. Muitos casamentos estão sendo destruídos porque os cônjuges não aprenderam a externar sua raiva de maneira certa. Estão deixando a coisa ferver em fogo baixo, com a tampa por cima, encobrindo uma porção de sentimentos negativos, mas depois procuram tirar desforras com mil e uma represálias sutis.
       Irem-se, mas tenham cuidado. Quando não sabemos a maneira correta de externar a raiva, ela se transforma em ressentimento e amargura. É isto o que acontece com o perfeccionista que não se dá o direito de expressar sua raiva; que não dá a si mesmo o direito nem de reconhecer que está com raiva. Ele a reprime e a sufoca bem no fundo do seu ser, e ela fica ali fervilhando e envenenando sua alma, para depois manifestar-se sob a forma de problemas emocionais, conflitos conjugais e até doença física.
       A raiva é uma emoção colocada por Deus no coração humano e é parte da imagem de Deus no homem, para ser utilizada com fins construtivos. Ela é uma força capaz de superar obstáculos, vencer desafios, abrir caminhos, transformar e transformar-se em garra e capacidade de auto-realização.

O SUPER “EU” E OS CONFLITOS

       O super “eu” pensa que temos que nos relacionar com os outros sempre muito bem, que temos que ser amados por todos, e que nunca pode existir nenhum conflito entre cristãos.
       O perfeccionista que fizer uma visita a um grupo de missionários terá grande choque, pois logo perceberá que os missionários têm mais dificuldades de relacionamento entre si do que os incrédulos, que estão buscando converter. Vemos isto em nossos próprios locais de reunião cristã. Mas ainda assim, persiste o mito do perfeccionista. “Mas eu tenho que ser perfeito.”
       Embora seja fato que não podemos trabalhar com todo mundo sem conflitos, isto não quer dizer que temos o direito de ficar ressentidos com quem quer que seja. Isto não significa também, que podemos odiar as pessoas ou ficar amargurados. Mas quer dizer que não  temos, obrigatoriamente, que nos sentir bem e à vontade na companhia de todo mundo. E não permita que seu super “eu” se torne um demoniozinho sempre a dizer-lhe. _”Bom, se você não está conseguindo se relacionar bem como os outros a culpa é toda sua. O problema é você mesmo. Se resolvesse esta questão, poderia relacionar-se melhor!
       Paulo nunca disse. “Quem for cheio do Espírito Santo conseguirá viver com todo mundo pacificamente e em harmonia. O que ele disse foi: “Se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens (Romanos 12/18). O problema pode estar na outra pessoa.
       O verdadeiro “eu” enfrenta muitas diferenças, conflitos e ama os outros e se interessa por eles o suficiente para confrontá-los com uma atitude de amor. Mas o verdadeiro “eu” sabe também que, às vezes, a melhor e única solução para certos problemas é, no dizer de Stanley Jones: “ Concordar em que é preciso discordar harmonicamente.” Discordar harmonicamente significa aceitar que o outro tenha direito de pensar diferente, o que, por sua vez, dá também à pessoa, o direito e a liberdade de divergir e ter opinião própria, realizando o seu verdadeiro eu.

O SUPER “EU” E A FELICIDADE

       O super “eu” acredita no seguinte mito: “Tenho que estar sempre super-feliz.” Mas você está sempre feliz? Nunca fica triste? Está sempre borbulhando de alegria e dizendo: “Glória a Deus? Nunca passa por lutas? Não existe nunca um momento em que o céu parece de ferro? Não há ocasiões em que você faz as coisas simplesmente por dever, sem sentir nenhuma alegria?
       No Jardim de Gesêmani, Jesus disse aos discípulos o seguinte: “A minha alma está profundamente triste até a morte.” Ele estava se contorcendo no chão; estava transpirando abundantemente numa terrível luta interior entre suas emoções e sua vontade. Suas emoções diziam: _”Pai, tu podes todas as coisas; passa de mim este cálice, se for possível...” Mas a sua vontade, que estava firme como um íma voltado para o Polo Norte, dizia: “Contudo, não se faça a minha vontade, mas a Tua.” E este tipo de luta, por vezes, nos deixa com a alma profundamente perturbada.
       A felicidade não depende muito do que acontece conosco, de situações exteriores que se acham fora de nosso controle. Depende do Cristo presente em nós – O Cristo em nós fala de uma condição interior que tem a ver com a nossa situação pessoal e não, com as circunstâncias que nos cercam. A Presença Crística é aquela calma interior situada no núcleo central de uma tempestade. Nossos sentimentos podem ser tempestuosos, mas pode haver em nosso interior um senso de retidão em relação à vontade de Deus (programação). Mas isto não quer dizer que temos que sair por aí, com as nossas máscaras (persona) de super “eus”, sorrindo sempre, dentes brilhantes, glorificando a Deus.

O REALISMO DO VERDADEIRO “EU”

       Nós cristãos, podemos ser realistas. Isto quer dizer que não precisamos ter medo de enfrentar o pior, o que há de mais terrível e mais doloroso. Não precisamos ter medo de expressar nossos sentimentos de tristeza, dor, mágoa, solidão, dificuldades e até mesmo, depressão. Por vezes, podemos até experimentar fortes sensações de depressão, como a que Elias teve após seu grande momento de triunfo: _ “Ó, Senhor, para mim basta. Quero morrer.”
       A vida de Jesus expressa uma autenticidade, uma sinceridade muito constante. Todas as suas emoções são registradas claramente e expressar com toda liberdade, sem nenhuma indicação de vergonha, senso de culpa ou de imperfeição. Tomemos como exemplo as atitudes de Jesus e não um super “eu” criado pela imaginação. Não precisamos ter medo de expressar nossos verdadeiros sentimentos e sermos o nosso verdadeiro “eu” em Cristo (nossos Cristos Internos).
       Quando desperdiçamos nosso tempo e energia procurando ser super “eus” estamos nos privando do desenvolvimento e da amizade de Deus. Nunca deixamos que Deus aceite e ame o nosso verdadeiro “eu”. E esse é o único “eu” que Deus realmente conhece e vê. O super “eu”, na verdade, é uma ilusão da nossa imaginação, uma falsa imagem, um ídolo. Nem tenho muita certeza se Deus vê este nosso super “eu”. Em Cristo, podemos ser nós mesmos, sem necessidade de nos compararmos com os outros. Ele quer nos curar e nos transformar, para que o verdadeiro “eu” possa se desenvolver e então possamos chegar a ser como Ele deseja que sejamos.
       O super “eu” custa muito para morrer. E o super “eu” religioso é mais difícil ainda. Se você perceber que está se agarrando a ele com força, espero que ouça a voz do Espírito Santo a dizer-lhe: “Abandone-o.. Largue-o.. Só depois disso é que eu e você poderemos iniciar todo o processo de cura, para a formação do seu verdadeiro “eu”.
       Quando você parar de desperdiçar suas energias espirituais, com o seu esforço para manter este falso super “eu” e começar a usá-las em cooperação com o Espírito Santo para o seu verdadeiro crescimento, verá que estará livre em Cristo; liberto do senso de obrigatoriedade que o impedia de ser você mesmo. Você estará acima da aprovação ou desaprovação dos outros. Livre da terrível sensação de condenação devida à lacuna existente entre o que você deseja ser e o que realmente é. E o que preenche esta lacuna? Tenho uma revelação para você: Todas as perfeições de Jesus, o verdadeiro, super-homem de Deus, estão à nossa disposição como um Dom gratuito Dele e estas perfeições dão de sobre para preencher as lacunas de nossas vidas.
       Paulo disse isto muito bem, quando escreveu. “Mas vós sois Dele, em Cristo, o qual se nos tornou da parte de Deus com sabedoria e justiça e santificação (Coríntios 1.30)

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SEDE PERFEITOS - Texto Complementar VI




       ...E o Mestre Jesus disse. “Sede Perfeitos, como vosso Pai que está nos céus.” Mas o que é esta imperfeição que devemos “combater”? Como e onde ela se localiza, em nosso psiquismo? Por que, apesar de nossos esforços sinceros, muitas vezes sucumbimos em nossos propósitos de aperfeiçoamento, como se algo mais forte nos impelisse ao erro? Por outro lado, também ouvimos: “O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus”. Onde está esta nossa perfeição? Como poderemos encontrá-la dentro de nós mesmos? Estas e muitas ouras questões vêm à nossa mente, ao abordarmos este tema. O homem moderno, apesar de todo o seu avanço técnico e científico, continua desconhecendo o maior fenômeno da natureza: Ele próprio.
       Aldous Huxley, autor de “As Portas da Percepção, diz: ”Cada ser humano é capaz de captar qualquer coisa, a qualquer momento, em qualquer ponto do Universo.” Com este potencial imenso, seríamos bombardeados por uma quantidade atordoante de informações simultâneas, o que tornaria a nossa vida, neste planeta de energia densa, simplesmente caótica. Para que isto não ocorra, há um afunilamento deste potencial, através de barreiras psíquicas chamadas de mecanismo de defesa do psiquismo, que selecionam e deixam passar apenas aquelas informações que podem ser compreendidas e aceitas pela nossa mente consciente. Desta forma, podemos descrever o psiquismo, didaticamente, como sendo constituído por uma parte consciente -–aquilo que conhecemos de nós mesmos – a barreira  que representa os mecanismos de defesa do psiquismo, que atuam como um filtro entre o inconsciente e o consciente, deixando passar apenas aquilo que o consciente suporta perceber; e uma parte muito mais ampla, inteligente e poderosa, que é o nosso inconsciente, capaz de capar vários estímulos num só momento  - percepção inconsciente simultânea – onde estão todas as nossas motivações inconscientes, tanto positivas quanto negativas.
       Estas diferentes partes psíquicas funcionam em diferentes níveis energéticos. Temos o nível físico, o nível de sensações ou cinestésico, o nível emocional, o mental inferior (o nosso pensamento objetivo), o mental superior (o nosso nível de ideais), o nível intuitivo e o espiritual. Os três níveis superiores – o nível espiritual, o intuitivo e o mental superior - compõem a nossa Individualidade, a nossa parte mais essencial, constituído de Energia Divina, também chamada de Mônada, Chama Tríplice, Chama Trina, Cristo Interno etc., a nossa parte perene, eterna. Os quatro níveis inferiores – o físico, o cinestésico, o emocional e o mental inferior – compõem a nossa Personalidade, aquela parte que mostramos às outras pessoas e que representa o nosso caráter nesta existência. Constitui também a idéia que conscientemente fazemos de nós mesmos, embora muitas vezes venha do consciente uma certa dúvida quanto àquilo que acreditamos ser ou gostaríamos de ser. É importante ressaltar que nem sempre a Individualidade  a Personalidade estão em harmonia ou equilíbrio ecológico. Nem sempre uma pessoa é na sua essência ou individualidade, aquilo que mostra em sua Personalidade ou aquilo que gostaria de ser. É justamente neste sentido que a individualidade pode atuar como um sabotador dos propósitos da Personalidade, ou, em outros casos, denunciar a Personalidade em sua tentativa de mascaramento, quando busca aparentar ser melhor do que realmente é.
       De acordo com a Psicologia Transpessoal (que estuda os aspectos psíquicos além da Personalidade), partimos do princípio de que “todo indivíduo já possui dentro de si mesmo todos os recursos de que necessita para alcançar seus objetivos de aperfeiçoamento, nesta existência. Todos possuem a Chama Trina dentro de si mesmos, a sua Luz Interna. O trabalho terapêutico consiste então em colocar o cliente em contato com este poderoso recurso interno, à luz do qual ele escolherá o que irá conservar e o que irá modificar em si mesmo, tomando por base o seu Arquétipo – modelo divino e perfeito, criado para cada Individualidade ou Emanação de Vida que vem de Deus – O homem feito à imagem e semelhança de Deus. Cabe ao homem, portanto, concretizar este modelo com seu próprio esforço - a cada um será dado segundo suas obras  - e segundo a Lei do Livre Arbítrio.
       Através da técnica de Captação Psíquica constatamos que cada pessoa possui dentro de si uma programação de vida a ser realizada, em relação ao seu próprio aperfeiçoamento e em relação ao aperfeiçoamento da comunidade em que ela está inserida. Ocorre também que, em muitos casos, por uma série de interferências situacionais e diferentes configurações energéticas, ou ainda registros emocionais do inconsciente profundo, a pessoa não está cumprindo sua programação de vida. Nestes casos, iremos entrar em contato com estes registros, liberando o conteúdo emocional alí contido e levar o inconsciente a perceber que agora ele está em outro momento do tempo e que aqueles fatores negativos não estão mais presentes.
       Somente entrando em contato com as emoções negativas, uma pessoa poderá libertá-las e transmutá-las em energia positiva, para ser utilizada em fins construtivos. O simples fato de reprimir uma emoção negativa  - raiva, orgulho, tristeza, inveja etc. – não significa que ela tenha sido eliminada; apenas está contida, aprisionada pelos mecanismos de defesa, dentro do inconsciente, interferindo no comportamento do indivíduo, todas as vezes em que a vigilância dos mecanismos defensivos diminuir. Tal procedimento cria um estado de tensão interna no indivíduo, podendo chegar a um ponto em que toda a sua energia   será gasta dentro dele mesmo, no trabalho de contenção dos conflitos emocionais. Isto o levará a um clímax em que pouca energia restará para a realização da programação de vida, estagnando-se assim o processo de aperfeiçoamento e mantendo-se o indivíduo preso na teia de suas próprias emoções negativas inconscientes.
       Cada um de nós é um centro gerador de energia eletromagnética. Nosso cérebro é um computador. Quando pensamos, geramos energia que irá condensar-se numa forma-pensamento – imagem formada pela concentração de energia do pensamento humano. Quando pensamos negativamente, criamos formas-pensamento negativas, que irão se associar a outras formas-pensamento de igual freqüência energética, voltando posteriormente a nós mesmos, acrescidas dessas energias semelhantes ao mal que produzimos. Quando produzimos formas-pensamento positivas, o processo igualmente repetir-se-á e teremos de volta a nossa energia positiva, acrescida de energias semelhantes.
       Segundo as últimas pesquisas realizadas no campo da Psicologia Transpessoal, a média dos seres humanos utiliza 3% de sua energia mental positivamente; 25% dessa energia, negativamente, e 72% sem nenhum direcionamento objetivo, constituindo energias malbaratadas ou desperdiçadas. Para que o processo de aperfeiçoamento se concretize é necessário que 49% da nossa energia seja utilizada construtivamente, nas 24 horas do dia, dividas em 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso – medidas de tempo relativas à Terceira Dimensão.
       Este modelo pode nos proporcionar uma ajuda valiosa no sentido de percebermos, a cada dia, como estamos utilizando nossas energias mentais e até onde estamos realmente contribuindo para o nosso aprimoramento pessoal e, pela nossa co-responsabilidade em relação ao todo – o corpo mental do planeta Terra é formado pelo somatório de nossos corpos mentais – perceber até onde estamos contribuindo positivamente para a melhoria do mundo em que vivemos.
Através desta observação diária, poderemos identificar também as motivações    inconscientes que nos sabotam, no sentido de compreendermos que elas tiveram origem numa situação de sofrimento físico ou psíquico e somente através da aceitação incondicional, do não julgamento e, principalmente, da transmutação das nossas energias negativas em energias positivas, chegaremos realmente a realizar aquele modelo de perfeição que constitui o objetivo da existência e que cada um de nós tanto deseja alcançar.

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[1] Texto de autoria de Sueli Meirelles.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O CONTATO COM DEUS - Texto Complementar V


       Nossos sentidos são as nossas portas de contato com o mundo externo. Do meio em que vivemos, nos chegam estímulos que, atingindo nossos órgãos sensoriais, são interpretados pelo nosso cérebro. Para que possamos estar realmente em contato com o mundo externo, é necessário que os nossos canais de recepção de estímulos estejam livres de bloqueios emocionais. Da mesma forma, para que possamos estar realmente em contato com Deus, é necessário que esses canais de comunicação estejam desimpedidos de outras tarefas, para poderem servi-Lo.
       Você está realmente em contato com Deus?
       Seus pensamentos, sentimentos palavras e atos estão a serviços Dele?
       Vamos começar pela visão:
Você caminha pela vida colocando a sua vista a serviço de Deus? Olhando à sua volta, percebendo as necessidades do seu próximo e auxiliando-o naquilo que você é capaz? Ou você caminha cegamente, mantendo na sua mente a imagem da Perfeição Divina e, ao mesmo tempo, atropelando aqueles que passam por você? Pisando-os e machucando-os com a sua cegueira religiosa...
       Seus ouvidos estão a serviço de Deus? Você ouve os pedidos dos seus semelhantes, suas experiências de vida, que muitas vezes podem representar ensinamentos de como fazer ou o que não fazer? Ou você caminha surdamente, tendo nos seus ouvidos o ressoar dos cânticos e dos sermões religiosos, cujas palavras bonitas e sábias tornam-se inúteis quando não aplicadas?
       Seu tato, seu toque está a serviço de Deus? Você usa seus braços e suas mãos para produzir, acolher e afagar? Você consegue perceber que seu trabalho quer seja simples ou exija-lhe estudos constantes, é parte da tarefa do Grande Plano Divino, onde todos podem ser úteis aos seus semelhantes? Você consegue sentir que seus braços são o caminho do amor até suas mãos, de onde ele poderá sair como energia protetora ou curadora, para aqueles que dele necessitam? Ou você utiliza suas mãos para pendurar-se em Deus, esperando que ele faça para você, aquilo que Ele o criou capaz de fazer? Ou pior ainda, usa seus braços para maltratar o seu semelhante? Você não é um destruidor; Você é co-criador com Deus, lembra-se?
       Seus pés estão a serviço de Deus? Você caminha de acordo com a sua programação de vida, registrada no mais íntimo do seu ser? Você sabe que o cumprimento de sua programação de vida é sua parcela de participação no Plano Divino e que aquilo que você não fizer, ninguém fará por você? E que será sua responsabilidade se sua parte ficar incompleta?
       Seu paladar está a serviço de Deus? Você seleciona sua alimentação com a consciência daquilo que é mais adequado à manutenção do seu corpo físico? Ou você é um devorador da Obra Divina, que acredita que tudo o que existe na face da Terra foi criado por Deus para alimentá-lo?
       Você coloca sua fala a serviço de Deus? Você usa sua linguagem para ressaltar aquilo que as pessoas têm de positivo, contribuindo para a construção de uma auto-imagem positiva, à imagem e semelhança de Deus? Ou você usa sua língua como um chicote sempre pronto a ferir, diminuir, ridicularizar, machucar o seu semelhante...
       Você coloca sua energia sexual, sua energia de criação a serviço de Deus? Você utiliza essa energia no nível físico de maneira adequada? Você sabe que essa imensa força criadora pode ser utilizada também em outros níveis de criação além do físico? Ou você usa esse potencial para esvaziar-se em promiscuidade, como quem derrama leite no esgoto?
       Se você respondeu afirmativamente às primeiras perguntas de cada parágrafo, você caminha pela vida de maneira útil e consciente, integrado ao Plano Maior.
       Se você se encaixa nas segundas hipóteses, lembre-se de que o Mestre Jesus nos disse:_ Quem não tiver pecado,  atire a primeira pedra! Portanto, ao invés de condenar-se de imediato, busque compreender os motivos, muitas vezes inconscientes, que o levaram a trilhar caminhos que o afastam do contato com Deus. Perceba que se aquilo que você faz não lhe parece adequado, você pode passar a fazer diferente e que se culpando e se punindo, você não auxilia a si mesmo, nem às outras pessoas e que, acima de tudo, sempre á uma chance de reformulação interior.
       Lembre-se de que Ele disse: Peça e obterás, bata e a porta abrir-se-á... e se você abrir principalmente a porta do seu coração, perceberá que, a princípio, sairão mágoas e ressentimentos, raivas e  tristezas... E depois, lá no fundo do peito, você verá uma pequena Luz brilhante, a sua Luz Interna, a Chama Divina da qual todos nós somos igualmente constituídos e verá, principalmente, que você não está só, porque TODOS SOMOS UM... E que este pode ser o momento de retorno à CASA DO PAI CELESTIAL, através da simples mudança do seu olhar, diante da vida.
      
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[1] Texto de autoria de Sueli Meirelles.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

HARMONIA POR CONFLITO - Texto Complementar IV


O título deste texto, por si só, encerra uma relação paradoxal, o que nos aponta a direção de uma Verdade Maior. Sobre o assunto, os Mestres, assim nos esclarecem:

“...Muitos de vós tereis já ouvido falar dos Sete Raios. Os que possam não saber do que falamos, fariam bem em aprender esta base fundamental da sabedoria das idades. Destes Sete Raios, embora todos sirvam a esse fim, dois estão mais particularmente relacionados com a ascensão: O 4º raio, precisamente chamado da Ascensão, da união e da harmonia por conflito (nosso grifo) e o 6º raio, da Devoção da Paz e do Idealismo.
       A Devoção ou Idealismo não são mais do que impulsos que nos direcionam para marcos mais altos no caminho evolutivo. É subindo todos esses marcos, alimentando Idealismos cada vez mais altos e devoções sucessivamente mais elevadas e amplas, que marchamos até a grande paz final, até o reencontro com Deus, conosco próprios, com tudo. A ascensão não leva à união com Deus, conosco próprios, com tudo? Já o dissemos: ascensão é reunificação, é reconquista da harmonia. Esta harmonia final, todavia, só se obtém com conflitos. Muito freqüentemente, senão sempre (embora os limitados juízos humanos julguem o contrário), estão mais próximos e mais sedentos de harmonia os que conflituam; os que sentem e vivem os contrastes, do que os que navegam em águas estagnadas, vivendo de paz podre e de aparentes harmonias, por vezes cheias de fingimento e falsidade.
       O conflito existe, quando necessário, para se atingirem harmonias superiores. Os conflitos com as nossas próprias limitações, com as amarras que nos agrilhoam a prisões irreais, com as redes intrincadas da mentira, do ódio e do separatismo, desequilibram hábitos antigos. Eles levam, no entanto, a novos equilíbrios e a mais altas harmonias. Assim será sempre até que o círculo se feche, o regresso se cumpra, a união se consume e a harmonia que tudo abarca e supera (até os conflitos aparentes) reine ilimitadamente.
       Que todo Ser regresse ao Pai, ao SER que tudo contém: Da rocha mais densa à estrela mais brilhante e ainda além...ainda mais além!”..

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[1] Texto extraído do livro As Novas Escrituras.

A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO - Texto Complementar III



“Faça ao outro o que queres que façam a ti mesmo”.

       Talvez essa máxima resuma em si a filosofia cristã. O homem possui em sua consciência o germe do aperfeiçoamento e a noção do bem e do mal.
       Através dos tempos, as várias religiões debatem-se nas divergências de seus conceitos lingüísticos, algumas posicionando-se como detentoras da Verdade Suprema e defendendo os seus conceitos como os únicos verdadeiros, movidas pela ilusão da separatividade e sem perceberem a energia Una e Divina que a tudo impregna.
       A essência do Cristianismo não parece situar-se apenas no campo dos conceitos, mas sim e principalmente, no campo do comportamento. Quando entramos em contato com as Leis Cósmicas, deparamo-nos com princípios extremamente lógicos e coerentes, princípios de fácil compreensão. A grande dificuldade parece surgir no momento de aplicar esses princípios às relações vividas no dia-a-dia. Entre o conhecimento dos princípios e sua real utilização está o grande inimigo do homem no seu processo de aperfeiçoamento: o Ego e suas manifestações (o orgulho, a vaidade, o desejo de poder, a ambição, a inveja, a maldade, a cobiça, a prepotência, o radicalismo etc.).
       A Bíblia, por sua amplitude de conceitos, permite as abordagens parciais. Não fugindo à regra, iremos, neste trabalho, privilegiar algumas passagens que se referem ao comportamento, cientes, entretanto, de que não é nossa a Verdade Total; não é nossa a Única Verdade, pois esta pertence ao Pai. Tentando apenas contribuir com a nossa reflexão sobre verdades tão antigas quanto a história do próprio homem, mas que ainda relutamos em aprender, e que somadas às verdades de cada um, poderão acrescentar harmonia e compreensão às nossas vidas. Vejamos alguns trechos do evangelho segundo Mateus:

“E orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.”
                                                                                           (Mateus 6.7)

       O sentido da oração é o contato mental e emocional com o Divino. Quando apenas repetimos palavras, sem atentarmos para o seu significado ou com a mente dispersa em nossas preocupações cotidianas, não estamos verdadeiramente em contato com Deus. Por outro lado, a oração como contato irá variar em função de nossas necessidades, em cada momento da existência. É o conversar com Deus, segundo nossas experiências, para louvar, pedir ou agradecer. A repetição de palavras somente terá uma utilidade quando se referir a objetivos positivos que desejamos alcançar e que exigirão um quantum energético acumulado, para que possa ocorrer a manifestação no mundo da matéria. Um exemplo específico deste acúmulo de quantum energético é verificado no poder da oração do “Pai Nosso”, capaz de reverter positivamente as situações mais aflitivas de nossas vidas.

 “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós.”
(Mateus 6.14)

       Quando nos sentimos ofendidos com o comportamento dos outros em relação
A nós, desenvolvemos em nosso íntimo, sentimentos negativos, mágoas e ressentimentos, os quais, quando remoídos, nos manterão ligados à pessoa em questão, através de um liame energético igualmente negativo. O ideal é que possamos conseguir o esvaziamento de nossas emoções negativas, alcançando a compreensão de que o outro agiu segundo o seu nível evolutivo e de que, acima de tudo, muitas  vezes age como nós mesmos já agimos em tempos pretéritos (quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra) ou, o que é mais provável, está nos devolvendo, embora não seja adequado, aquilo que lhe fizemos em outro momento do tempo. É importante também lembrarmo-nos de que, em nossas experiências de vida, quer sejam positivas ou negativas, poderemos sempre colher alguma aprendizagem, que nos será útil em situações semelhantes. Cabe ressaltar, ainda, que este processo de transmutação (o perdão) exige um trabalho intenso de esvaziamento dos sentimentos negativos que desenvolvemos diante do ocorrido, até que possamos realmente conseguir perdoar, sem guardar nenhum tipo de ressentimento.

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.”
(Mateus 6.22)

       Diz o ditado popular que os olhos são o espelho da alma. Neste sentido, a abstração do olhar e da expressão facial das  pessoas com quem convivemos, pode ser um seguro indicador do seu grau de confiabilidade. Em nossa prática de contato com o ser humano, inúmeras vezes observamos que pessoas não autênticas, escamoteadoras, não conseguem manter o olhar direto por muito tempo, tendendo a desviá-lo para os lados. Estas pessoas costumam trazer histórias pessoais e transpessoais, nas quais ludibriaram e foram ludibriadas.
       A medida  que vamos nos trabalhando internamente as imperfeições de  nossas  personalidade, nossos olhos vão adquirindo a transparência e a objetividade de nossas reais intenções para com os nossos semelhantes, até que alcancemos o objetivo maior de expressar através deles, todo o amor que podemos chegar a sentir por nossos semelhantes.

“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem regam, nem ajuntam em celeiros; o nosso Pai Celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
(Mateus 6.26)

       Em muitas situações, constatamos que temos mais medo do que precisamos e menos fé do que deveríamos. Conscientes de que apenas irá nos ocorrer aquilo que está em afinidade com nosso padrão de vibração energética, não precisamos nos preocupar com os infortúnios alheios, temendo que eles também nos aconteçam. Nossas preocupações são, em sua maioria, originadas em nossos medos infundados, que vão ganhando forma e amplitude em função de nossa falta de fé em Deus e de autoconfiança em nós mesmos, seres criados a Sua Imagem e Semelhança.
“Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”
(Mateus 6.33)

       A idéia de buscarmos primeiramente as coisas de Deus consiste em afinarmos nossas ações pelo seus preceitos, qualificando assim nossa vibração energética, o que por sua vez, tornar-nos-á capazes de atrair, por afinidade com o bem, todos os benefícios dos quais nos tornamos merecedores. De nada adiantam as nossas orações e mentalizações positivas se, na prática, continuamos a repetir os mesmos comportamentos negativos que nos afastam do Pai.

“Não julgueis para que não sejais julgados. Por que com o juízo com que lulgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.”
(Mateus 7.7/2)

“E porque reparas tu no arqueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho.”
(Mateus 7.3)

       Dentro do princípio de que a vida não se resume àquilo que pode ser observado em nossa Terceira Dimensão, mas ganha amplitude infinita dentro do conceito de eternidade, aquilo que nos é dado perceber em relação aos fatos é apenas “uma pequena fatia de um grande queijo”, que é o Todo Maior e que inclui muitas outras dimensões de vida. Desta forma, muitos eventos aparentemente errados ou injustos, ganham novos significados quando compreendidos num sentido mais amplo de vida, em conformidade com as Leis cósmicas. Logo, não temos condições de julgar acontecimentos dos quais temos apenas uma pequena parcela de conhecimento; isto nos levaria a sermos injustos, em função de nossa ignorância, em relação ao verdadeiro sentido dos acontecimentos que presenciamos.

“Pedi e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; bate e abrir-se-vos-á.”
“Porque aquele que pede, recebe; e, ao que busca, encontra; e, ao que bate, se abre.”
(Mateus 7.7/8)

       Este princípio bíblico nos mostra a importância da humildade e tem valor de lei cósmica, mostrando-nos que somente seremos atendidos se tivermos a humildade de pedir, trabalhando assim o nosso orgulho e a nossa vaidade. Por outro lado, quando ajudamos ao nosso semelhante, sem que este nos tenha solicitado ajuda, muitas vezes estamos muito mais atendendo às nossas próprias necessidades, de nos sentirmos bons, caridosos, camuflando assim os nossos sentimentos de superioridade em relação ao próximo e, na verdade iludindo a nós mesmos e alimentando nossas imperfeições egóicas. Tal procedimento pode ser, na verdade, uma armadilha na qual caímos  facilmente, nesta dimensão de ilusões, comandados apenas por nossas Personalidades, nossas máscaras sociais para a Terceira Dimensão. Para os Mestres e para Deus, capazes de perceber nossas Individualidades e, conseqüentemente, nossas reais intenções, as quais muitas vezes não são conscientes nem para nós mesmos (quando estamos totalmente dominados por nossas personalidades), tal procedimento não contribui para o nosso aperfeiçoamento espiritual, não sendo computado como obra realizada, uma vez que pode até mesmo nos levar a prejudicar o processo evolutivo de nossos semelhantes, impedindo-os de crescer. A verdadeira caridade consiste em mostrarmos a cada um o seu próprio valor, as suas qualidades, os seus aspectos positivos que por si só fornecerão incentivo e apoio às suas próprias realizações, mantendo-o livre de nosso jugo protetor. Caridade, no sentido lingüístico, consiste em cari+dade. Care (de cuidar) e de core (coração) e dade (de doação, significando doar amor).

“Assim toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.”
“Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar bons frutos.”
“Portando, pelos seus frutos os conhecemos.”
(Mateus 7.17(18/20)

       Pelas ações de uma pessoa podemos inferir seu grau de evolução espiritual. A observação, sem julgamento, do comportamento de nossos semelhantes pode representar para nós uma importante lição de vida. Observando os bons resultados, aprendemos ações adequadas e produtivas; observando os maus resultados, podemos evitar nossos próprios erros. Neste sentido, no convívio com o outro, podemos encontrar, em cada situação um mestre de nossa evolução espiritual, bastando para isto apenas meditar sobre o ocorrido e daí tirar a lição adequada.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, asemelha-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.”
 (Mateus 7.24)

       Novamente, nesta mensagem, temos a sinalização da importância da prática dos princípios Divinos. De nada adianta ouvir e pregar ao próximo tais princípios se não os aplicarmos ao nosso próprio comportamento. Na verdade, este é o aspecto mais difícil de nossa tarefa evolutiva. Queremos mudar o mundo a nossa volta, mas recusamo-nos a reformular o nosso mundo interno, nossos maus hábitos arraigados, nossos vícios... Dentro do sentido da vida, talvez esta seja a principal tarefa para cada um de nós: Conseguirmos mudar a nós mesmos...

“ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados.”
“E a multidão, vendo isto, maravilhou-se e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens.”
(Mateus 9.6/8)

       Quando realmente conseguimos perdoar alguém, isto significa que conseguimos eliminar em nosso coração toda a mágoa e ressentimento; significa que conseguimos transmutar nossos sentimentos negativos em amor; significa que conseguimos compreender o comportamento do outro, em função de seu grau evolutivo; conseguimos compreender que o outro tem o mesmo direito que nós à sua liberdade e à responsabilidade por suas próprias ações, não nos cabendo julgá-lo. Tal é o nosso poder enquanto seres humanos: perdoar ao nosso semelhante os agravos a nós direcionados, pois somente o amor é capaz de tapar o buraco do ódio e este poder é dado a todo ser humano, consciente da divindade dentro de si mesmo e através do uso da Chama da Misericórdia, o sétimo Raio de Deus.


“Não é o discípulo mais que o mestre, nem o servo mais do que o senhor.”
(Mateus 10.26).

       Esta é a condição de igualdade de oportunidades entre os homens. Deus não privilegia a nenhum de seus filhos. O ponto do caminho em que cada um de nós se encontra é resultado de nossos próprios esforços e empenho em caminhar. Aqueles que vemos atrás de nós, no caminho, estão onde nós mesmos também já estivemos; aqueles que se  encontram à nossa frente, estão onde nós também chegaremos, pois todos caminhamos para o mesmo objetivo de aperfeiçoamento e reencontro com o Pai.

“O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca. Isso é que contamina o homem.”
(Mateus 15.11)

       Se tivéssemos uma real noção do poder de nossas palavras, teríamos muito mais cuidado com esse poderoso instrumento. Como está escrito na gênese, no princípio era o verbo e Deus disse: Faça-se a luz. E a luz se fez. Tal é o poder de Deus dado aos homens, únicos seres da criação que possuem o poder do verbo criador, tornando-se assim co-criadores com Deus. Quando os homens usarem este Dom apenas  para fins construtivos, a humanidade terá alcançado a perfeição tão desejada.

“Mas o que sai da boca procede do coração e isso contamina o homem.”
“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsas testemunhas e blasfêmias.”
(Mateus 15.11/19)

       Através da fala expressamos nossos pensamentos e sentimentos. Na escolha das palavras, no equilíbrio entre o falar e o calar, na ponderação em relação ao que falamos, em nosso tom de voz, a cada momento expressamos inconscientemente nossas intenções mais ocultas. Neste sentido, o escondido não existe e cada um de nós é capaz, através da observação, de aprender valiosas lições, no dia-a-dia da comunicação humana, a respeito desse poderoso instrumento chamado linguagem. Devemos ter como principal objetivo o próprio aperfeiçoamento espiritual, até que sejamos capazes de colocar nossa capacidade de comunicação, a serviço dos aspectos positivos de nossa individualidade.

“Porque o Filho do homem virá na glória de seu pai, com os seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.”
(Mateus 17.27)

       Mais uma vez aqui é sinalizada a importância da concretização dos princípios e Leis de Deus. A capacidade mental do ser humano o coloca em contato com a Mente Cósmica, cujos princípios podem ser traduzidos nos mais elevados ideais da humanidade. O comportamento humano, quando regido por estes princípios superiores, orna possível a manifestação do Plano Superior no mundo da matéria densa. É através das suas obras, das suas realizações em vida, que o homem participa da obra de Deus.

“E repreendeu Jesus o demônio que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou.”
“Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular disseram: Por que não podemos nós expulsá-lo?”
“E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada mais será impossível.”
(Mateus 17.18/19/20)

       Muitos de nós consideramos que é necessário ver para crer. Aproximamo-nos dos eventos místicos com nosso senso crítico e capacidade de observação, esperando que o fenômeno observado, por si só, comprove a existência do Divino. Como se coubesse a Deus nos provar sua existência. Com nossa mente objetiva e racional, esquecemo-nos do campo eletromagnético que permeia e torna possível tais fenômenos e que, quando duvidamos, emitimos tal tipo de energia para o ambiente, interferindo assim no desenvolvimento do processo. Acima de tudo, é necessária crer para ver, pois, segundo os passos da precipitação no mundo da matéria, há um longo caminho de influências mentais a ser percorrido antes que alguma coisa se torne realidade. E o primeiro passo para a concretização é, justamente, o modelo criado pela mente de cada um.

“Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.”
(Mateus 18.4)

       A virtude da humildade consiste no reconhecimento do quanto somos ainda imperfeitos; do longo caminho que temos pela  para percorrer e da imensidade cósmica que nos rodeia. Ser humilde é também reconhecer que cada uma de nossas realizações representa a Força Superior fluindo através de nós; que nada nos pertence ou é nossa criação exclusiva, mas que somos canais através dos quais passa a Sabedoria Superior e que, neste sentido, nenhuma idéia ou feito pertence a ninguém.

“Em verdade vos digo que tudo que ligardes na terra será ligado no céu e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.”
(Mateus 18.18)

       Esta máxima nos mostra a correlação entre microcosmo e macrocosmo; mostra-nos a correspondência entre o mundo mental e o mundo material; mostra-nos a interligação entre todas as coisas que nos parecem separadas.

“E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.”
(Mateus 22.37)

       Mais uma vez é aqui ressaltada a importância da fé. Cabe entretanto relembrarmos que o atendimento aos pedidos depende da integração entre individualidade e Personalidade. Quando fazemos uma oração pedindo algum benefício, é necessário atentarmos para o fato de que esta graça pode estar ou não de acordo com nossa programação inconsciente de vida e com os aspectos de Personalidade que necessitamos trabalhar em nós mesmos. Sempre que o nosso pedido for inadequado, nossa Individualidade posicionar-se-á contra, agindo como um sabotador de nossas intenções egóicas.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
“Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.”
(Mateus 22.37/39/40)

       Quantas vezes proclamamos o nosso amor ao Senhor, esquecendo-nos de expressá-lo aos nossos semelhantes. Fácil nos parece amar a um Deus que não nos causa problemas e aborrecimentos; difícil se torna conviver com o nosso irmão (expressão da Divina Presença em nosso plano material ) e nele reconhecer o treinador necessário ao trabalho evolutivo de determinados aspectos de nossa Personalidade. Esta é a verdadeira e difícil manifestação de nossa fé...
       Muitos outros textos bíblicos poderiam aqui ser abordados. Nosso objetivo é o de que possamos refletir sobre as grandes Verdades Bíblicas, identificando quais os aspectos negativos que devemos observar, não nos outros, mas em nós mesmos. Parece-nos que a grande reforma da humanidade começa dentro de cada um de nós e neste sentido não precisamos nos assustar: O mundo somente irá se modificar quando conseguirmos modificar nossos mundos internos...
Os texto de outras religiões, além do Cristianismo igualmente contém muita Sabedoria. Eles deverão ser utilizados, na medida em que os integrantes do grupo de estudos consigam romper as barreiras dos próprios preconceitos. Isto promoverá a ampliação da síntese religiosa, capaz de unir a todos em torno do PAI.

                                                               Sueli Meirelles

Site: www.suelimeirelles.com





[1] Texto de autoria de Sueli Meirelles com fundamentos na Bíblia Sagrada.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

REUNIÕES DE CURA - Texto Complementar II

                Os grupos avatáricos desenvolvem um maior poder de cura na medida em que aumentam sua sintonia e sincronicidade, ou seja, quanto mais os seus membros conseguem afinar-se em amor mútuo e semelhança de objetivos estabelecidos para as ações do grupo, e quanto mais conseguem alcançar esta sintonia, ao mesmo tempo.
                         A cura e transmutação se efetuam pela liberação da energia retida por estados mentais negativos. A doença resulta da inibição da energia da alma. A inibição resulta do  egoísmo e da separatividade, que leva a pessoa a isolar-se do convívio dos demais, numa demonstração efetiva de desamor. Para que a cura ocorra, é preciso que o grupo de cura invoque o amor.
       Para que a energia estagnada volte a circular livremente, é necessário, no entanto, que o amor seja aplicado com sabedoria. Que o grupo use a sabedoria através da consideração do objetivo de cura a ser alcançado, da origem da doença, ou seja, quais os conteúdos emocionais que alimentam a doença (poderá ser útil ao grupo ter conhecimentos básicos de Bioenergética). Que ele antecipe o estado arquetípico de saúde, ou seja o modelo perfeito criado por Deus para aquela pessoa, visualizando o paciente em perfeito estado de  beleza e equilíbrio e que todo o grupo mantenha esta imagem, simultaneamente. Quanto mais perfeita e sincronicamente esta imagem for mantida pelo grupo, maior o poder de cura. A concentração no objetivo pede a assistência poderosa do Senhor do 5º Raio (Mestre Paulo). Por fim e necessária a transmutação do aspecto negativo de separatividade, bem como de todos os sentimentos negativos manifestados pelo paciente, na sua contrapartida positiva, com a aplicação  do raio violeta, que dará o último e final impulso restabelecedor. Desse modo, a tarefa de cura envolve pelo menos 5 raios, a saber: 2º, 4º, 5º 6º e 7º.        
       A possibilidade de cura está diretamente ligada ao carma do paciente. Existem casos em que os pacientes não são curáveis, nada sendo permitido fazer-se em seu benefício, além das orações de misericórdia. Não sendo este o caso, toda cura é possível, a partir da reunião de todos os fatores envolvidos no processo, quais sejam: O procedimento adequado do grupo, o seu Amor incondicional e o arrependimento também incondicional do paciente, com a conseqüente mudança dos pensamentos, sentimentos palavras e atos  que alimentavam a doença. Como o Mestre Jesus dizia: Vá e não peques mais!
       O local da cura deve estar previamente magnetizado e deve apresentar a dignidade de um Templo de Deus, tal como era conhecido na antiguidade e hoje, infelizmente, é ignorado pela ciência materialista. A vibração do local deverá estar o mais propícia ao livre fluxo da mais pura energia da alma de todos os membros presentes.
       A colaboração do doente é fundamental e deverá ser assegurada em entrevista prévia com a pessoa do grupo designada para este fim: aquele que fará o registro e preparará o plano de cura em coordenação com os restantes membros do grupo. Se a colaboração do doente não estiver assegurada ou se este se opuser ao ministério curador, talvez nada se possa fazer.
       O círculo dos servidores deverá reunir-se na sala ou local específico de cura. O paciente deverá ficar no centro do círculo, o que será especialmente eficaz no caso de doentes mentais (alguns deles, contudo, são incuráveis sob a Lei do Carma). O centro ou a triangulação de centros energéticos ou chacras a serem focalizados deverá ser conhecido. A energia curativa, emanada do Cristo, deverá ser invocada. No entanto, o raio rubi marcará o objetivo. A invocação deverá ser breve e poderosa. Depois, seguir-se-ão a focalização da energia curativa, a concentração no objetivo e o impulso transmutador. A solidariedade, compaixão e amor deverão caracterizar a atmosfera. Efeitos extraordinários poderão surgir deste modo, formando-se uma triangulação entre a energia crística das esferas superiores, o grupo de cura e a alma do paciente.
       Obtido o impulso de cura e feita a ligação estimulante e amorosa ao coração do paciente, a linha do restabelecimento terá sido traçada. Por ela circulará a energia da alma. O trabalho, porém, não estará terminado: deve assegurar-se o arrependimento íntimo do paciente a respeito do anterior bloqueio na circulação da energia. Ele deve conscientizar-se da relação entre a desarmonia do seu sistema interior e o bloqueio desencadeador da doença, ou seja, de todos os aspectos negativos que contribuem para a sua manutenção. Deve tomar a decisão interior de não mais permitir o desvio ou a obstrução da energia divina, esforçando-se por compreender inteligentemente a sua natureza. Nisto será assistido pelo grupo e, sobretudo, pelo membro do grupo que tenha feito a entrevista e o esteja acompanhando em seu processo de cura.
       A tarefa seguinte a ser cumprida diz respeito à manutenção da linha renovada de circulação energética, o verdadeiro caminho de cura. O arrependimento efetivo é o passo necessário a que deve seguir-se o esforço da vontade expressa mentalmente, por parte do paciente, visando conservar a livre circulação da energia divina, fortalecendo e alargando o canal aberto. O grupo deverá assisti-lo e inspirá-lo, enviando-lhe a energia iluminadora do Amor-Sabedoria e continuar, eventualmente, através da irradiação do raio violeta, a auxiliá-lo na transmutação dos obstáculos. A cura poderá ser alcançada:

a)    se o paciente, ocultamente “pai do carma” individual, exercer de modo voluntário a decisão correspondente, manifestar profundo e sincero “arrependimento” e apelar à misericórdia divina procurando simultaneamente harmonizar-se com a Lei Maior;
b)    se o grupo colaborar na tarefa de fortalecer o movimento oposto ao carma cristalizado em doença, visualizando o estado perfeito e saudável programado por Deus para aquela pessoa.

       Nesta fase o importante é estabilizar o resultado e colher a flor evolutiva que a doença veio semear. Todo sintoma é um pedido de socorro do organismo que busca novamente o seu ponto de equilíbrio. Se o grupo tiver intuição, saberá como levar isto ainda mais longe, aprofundando seus conhecimentos sobre o assunto. Se o paciente tiver intuição, nada poderá impedir a cura, exceto uma forte limitação cármica. Ainda assim deverá considerar-se que as limitações cármicas podem ser compensadas por movimentos de sinal oposto, ou seja: Os aspectos negativos da personalidade podem ser transmutados em suas polaridades positivas. Ex.: Apego em desapego, ódio em amor; orgulho em humildade, etc.
       O termo saúde tem a mesma origem de salvação; ter saúde é estar a salvo das emoções negativas que causam os bloqueios impeditivos da livre circulação da energia vital.

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[1] Texto extraído do Livro Teorias e Técnicas Grupais.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MEDITAÇÃO PELA UNIDADE E PELA PAZ NO PLANETA HOJE 210817

Enquanto os eclipses Lunares nos convocam à interiorização e auto conhecimento, os Eclipses Solares nos convidam ao movimento e ações efetivas de mudanças, no mundo externo. Sejamos a mudança que desejamos para o nosso Planeta Azul. É tempo de elevação de consciência. Esteja em sintonia, pratique e compartilhe a PAZ!

Vídeo de Meditação Guiada: https://www.youtube.com/watch?v=SUmymR7LaSQ&t=11s


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