domingo, 4 de junho de 2017

SOBRE A MORTE E O MORRER


               Quando penso no tema, a primeira coisa que me vem à mente é a negação ocidental dessa experiência pela qual todos nós, sem exceção, iremos passar. Por que vivemos como se nunca fôssemos morrer? Afinal, o que é a morte?
            No dicionário Michaelis online[1],  os múltiplos significados do termo apontam para a ideia de finitude e inconsciência; de morte como antônimo de vida e não, como antônimo de nascimento, permeando todos os vocábulos, tais como: Cessar de viver; acabar, apagar, desaparecer, descansar, desencarnar, faltar, fenecer, finar-se, adormecer no Senhor” e muitos outros. Inexiste o conceito quântico de vida eterna, ora no plano extra-físico, ora no plano físico, alternando existências, num longo processo de aprendizagem, para uma Individualidade eterna e inominada e de morte como despertar da consciência, em outra dimensão de realidade.
            Trabalhando com pesquisas psico-espirituais e acompanhamento de pacientes terminais e/ou comatosos por 28 anos, tive a oportunidade de compreender este processo vivenciado por pessoas em diferentes classes econômicas e sócio-culturais, bem como diferentes crenças e estados evolutivos, focando o fenômeno da passagem sob o enquadre da Psicologia Transpessoal. O acompanhamento de um casal de irmãos que fizeram a passagem em diferentes momentos do tempo levaram-me à compreensão de como os fatores culturais influenciam a visão de morte: A irmã, quando no CTI, teve o seu inconsciente acessado expontaneamente pela cunhada, através da Técnica de Captação Psíquica[2], em reunião do Carrossel de Luz[3], nosso grupo de pesquisas noéticas. Percebia-se no escuro e dizia que não queria sair daqui, referindo-se à Terra. Trabalhando o medo do desconhecido que antecede a experiência da passagem para aqueles que não buscaram informações durante a vida terrena, ela começou a perceber o “lugar” de onde tinha vindo, ao nascer e para onde iria voltar ao morrer. Começou a perceber familiares já falecidos, tais como sua mãe e sua irmã mais velha, que a aguardavam, serenando a mente e o coração, diante da iminência da passagem. Interessante relatar que a médica de plantão no CTI, durante a captação, informou à família, que todos os pacientes também serenaram, “como se um Anjo tivesse passado por lá, naquela noite.”
            No segundo caso, o do irmão, ateu convicto, falecido nesta última terça-feira, também em captação espontânea, mostrou-se confuso e perturbado por Presenças Intrusas[4] interferentes e com muito medo de morrer. À medida que, através de orações e conscientizações, buscamos o auxílio dos Guardiões de Deus para o encaminhamento das Presenças Intrusas e promovemos o esvaziamento do medo diante da morte, uma paz infinita se instalou no inconsciente do referido paciente, que passou a fazer perguntas sobre o que iria encontrar, após a passagem. Em linguagem simples, procuramos lhe passar a ideia de outras dimensões de vida e realidade energética propostas pela Física Quântica e diferentes tradições religiosas que nos informam sobre a passagem, após o que ele percebeu uma porta luminosa se abrindo à sua direita (lado racional). Pediu, então, que enviássemos uma mensagem à sua filha, com os seguintes dizeres: “Diga a ela que eu estou muito cansado, mas agora estou tranqüilo porque já sei para onde tenho que ir”. Também pediu perdão pelos erros cometidos em vida, arrependendo-se e expressando tristeza, até alcançar o auto-perdão necessário para a mudança de estado de consciência, ao perceber que Deus, em sua Infinita Misericórdia não castiga ninguém; apenas, dentro da Lei de Causa e Efeito, volta a cada um o que é de cada um, para ser positivamente requalificado. Em seguida, referiu-se ao amor que não soube expressar em vida pelos seus três filhos e perguntou se a esposa falecida à cerca de dois anos e meio, estaria esperando por ele. Respondi que se assim fosse da Vontade Divina, assim iria acontecer. Terminada a técnica, percebendo-o em estado de plena serenidade, solicitei que retornasse à proximidade do seu corpo físico, no hospital e aguardasse o momento da partida. Ele ainda permaneceu no plano terreno por mais vinte quatro horas, vindo a falecer na manhã de quarta feira.
            Dentro do princípio Junguiano de sincronicidade[5], a cunhada desse paciente, muito parecida com a irmã falecida, por várias vezes ouviu dos familiares presentes no velório, referências ao quanto ela lembrava a irmã, com sua presença, diante do que perguntamos: _Teria ela, por Misericórdia Divina, tido permissão para vir acolhê-lo e acompanhá-lo ao Plano Espiritual?...
            Acompanhar tais experiências nos remete a muitas reflexões sobre a morte e o morrer: Por que acumulamos na terra tantos bens que não iremos levar? Por que nos apegamos às coisas, tantas vezes causando sofrimento aos que convivem conosco, aprisionando-os às nossas escolhas e conceitos de vida? Por que, ainda não temos a consciência da impermanência da existência terrena, para irmos nos desfazendo das coisas e simplificando o momento da partida? Por que não fechamos as situações emocionais mal resolvidas, ainda em vida, para que estejamos mais leves na hora de alçar o vôo espiritual? Por que não buscamos estas respostas enquanto há tempo, do mesmo modo que buscamos informações sobre um outro país, quando pensamos em viajar para lá, já que medo do desconhecido é um dos principais medos diante da morte?
            Estas foram as preciosas aprendizagens proporcionadas por um paciente terminal ateu. A ele, a nossa gratidão, por ter sido instrumento de Ensinamentos Divinos, neste último momento de sua existência terrena. Que possamos aprender a lição!...


                                                      Sueli Meirelles, em Nova Friburgo, 31/05/17.
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