quarta-feira, 1 de novembro de 2017

TRANSRELIGIOSIDADE


“Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco;
também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz,
 e haverá um rebanho e um pastor.”
(João, 10/16)


            Transreligiosidade pode ser definida como o sentimento religioso que acolhe as verdades essenciais de todas as Religiões, mas que não se refere a nenhuma, especificamente, estabelecendo o diálogo inter-religioso, em busca do elemento comum existente em todas as Tradições.
            O termo latino religare, do qual se originou a palavra religião, tem o sentido de ligar novamente, e o prefixo trans, quer dizer além de, ou seja, aquilo que transcende e ultrapassa os conceitos convencionais de qualquer conhecimento. Assim, a transreligiosidade propõe a transcendência dos dogmas de cada visão religiosa, para alcançar o espaço neutro de não julgamento, preconceito ou separatividade, onde se torne possível buscar os pontos de encontro e as semelhanças entre as diferentes religiões.
            Na Antiguidade, havia cinco grandes ramos religiosos: Judaísmo, Taoísmo, Budismo, Confucionismo e Cristianismo. Nos seus primórdios, o Cristianismo era uma religião professada por uma pequena parte do povo judeu, dominado pelos romanos, que seguia os ensinamentos do Mestre Jesus. Por serem perseguidos, eles se reuniam às escondidas, até que cidadãos romanos também começaram a aderir à nova crença, decorrendo desta adesão, o sincretismo entre o paganismo romano e o cristianismo primitivo, originando a Religião Católica Apostólica Romana, hoje dividida em alguns segmentos.
            Por volta do século XVII, Martinho Lutero, na Alemanha e Calvino, na França, iniciaram um movimento de protesto em relação aos rumos da Igreja que, e por influência de fatores históricos e políticos, resultaram numa dissidência do Catolicismo, que deu origem ao Protestantismo. Este, por sua vez, no decorrer do tempo, subdividiu-se em dezenas de novos segmentos espalhados pelo mundo ocidental, como Tradições Evangélicas.
            No século XIX, na França, um filósofo chamado Leon Hypollite Denizard Rivail, realizou profundos estudos sobre fenômenos de ampliação de consciência, dando origem à Doutrina Kardecista. Desenvolvida sob a égide do iluminismo e do racionalismo científicos, esta doutrina, longe de negar os princípios propostos por Jesus, veio trazer novos esclarecimentos aos fenômenos espirituais, que sempre ocorreram no decorrer da trajetória evolutiva da humanidade, confirmando as suas verdades perenes, através da publicação de centenas de livros de vários autores.
            Na década de trinta, em Niterói, no Rio de Janeiro, houve uma dissidência do Kardecismo, que originou o Movimento Umbandista, com a proposta de evangelizar as religiões africanas, que haviam se afastado de suas práticas tradicionais de culto às forças da natureza, para envolver-se com magia.
            Considerando que no Ocidente, há um predomínio do Cristianismo sobre as outras quatro grandes religiões (Judaísmo, Budismo, Confucionismo e Taoísmo, se não considerarmos a variedade de outras pequenas seitas, mais recentemente introduzidas no país), nós podemos afirmar que a maior parte das religiões professadas no Brasil, se reúne em torno da mensagem de unidade e síntese deixada pelo Mestre Jesus, há dois mil anos atrás.
            Pelo estudo comparado das religiões percebe-se que os pioneiros de todas estas propostas religiosas, não tinham o objetivo de criar novas religiões, mas, principalmente trazer esclarecimentos ao que já era conhecido e corrigir possíveis desvios da trajetória evolutiva da humanidade, em cada um desses momentos históricos.
            Os modernos estudos da Psicologia Transpessoal têm revelado um significativo aumento na quantidade de fenômenos de clarividência, clariaudiência e psicografia, entre outros, em pessoas de diferentes confissões religiosas, todos com padrões psíquicos muito semelhantes entre si. Neste sentido, a ciência, ao direcionar a sua atenção para os fenômenos de transcendência religiosa, poderá trazer uma grande contribuição para o entendimento de que um mesmo fenômeno pode estar sendo designado de diferentes maneiras, por diferentes religiões. Por sua característica de neutralidade, a ciência pode oferecer o espaço de encontro, onde as divergências lingüísticas poderão ser compreendidas e ultrapassadas, reduzindo a grande Babel que dificulta o diálogo inter-religioso.
            Para que todas as ovelhas, dos diversos apriscos, se reúnam ao redor do Único Pastor, torna-se necessário que todos os fiéis, de todas as religiões, se coloquem realmente em condição de humildade e ausência de preconceitos religiosos; que ao invés de tentar atrair o outro para a sua própria visão religiosa, possa respeitar e conviver com as diferenças; aceitar que o outro se encontre num diferente estado de consciência, compreendendo que isto determina uma visão de mundo diferente da sua. Para que a unidade religiosa possa se estabelecer, torna-se necessário também o entendimento de que esta unificação não se fará em torno de qualquer uma das religiões já existentes, mas em torno da síntese gerada pelo diálogo e pela compreensão mútua de que ninguém é detentor da verdade absoluta, mas que, como seres humanos, temos verdades relativas ao estado de consciência em que vibramos, como diferentes idiomas produzidos pela cultura humana.
            Os líderes religiosos deste momento de Transição Planetária têm a difícil tarefa e a grande responsabilidade de iniciar o diálogo inter-religioso, orientando os seus seguidores para a verdadeira fraternidade e amor incondicional, necessários para que esta síntese aconteça, já que o oposto seria o retorno ao sectarismo que gerou tantas guerras religiosas através da história da humanidade.

(*) Especialista em Psicologia Clínica (Hipnose Ericksoniana, Regressão de Memória e Reprogramação Mental Membro do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas e da ALUBRAT – Associação Luso Brasileira de Psicologia Transpessoal.
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Blog Sueli Meirelles: http://sueli-meirelles.blogspot.com/


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[1] Texto de autoria de Sueli Meirelles.