terça-feira, 3 de março de 2026

OS SÍMBOLOS ANIMAIS E A DINÂMICA FAMILIAR



    O trabalho terapêutico com a linguagem simbólica do inconsciente profundo, permite uma leitura precisa, tanto do potencial interno de realização de cada paciente, como da dinâmica de relacionamentos interpessoais, quer seja na família, no trabalho ou no convívio social, permitindo ao psicoterapeuta auxiliar seus pacientes na mediação de conflitos, em diferentes contextos.

    Tomando por base a dinâmica de um dos casos clínicos atendidos, passo aqui a analisar uma dinâmica familiar específica, entre um Leão, um Cavalo e um Macaco e as possíveis soluções para minimizar os conflitos surgidos na convivência diária:

    O Leão é o Rei da floresta e tem consciência de sua força e do poder de suas garras e presas afiadas.  Simbolicamente é um predador!... É selvagem, instintivo e caminha pela floresta (memórias transpessoais), bebe a água (busca conhecimento) no rio (fluxo da vida) e caça (expressão da agressividade), quando tem fome. Quando alimentado, descansa confortavelmente e pode ser mais pacífico.

 O macaco, um animal silvestre sem a agressividade do Leão, também vive na floresta, pulando de galho em galho, em busca de novidades. Olha tudo de cima das árvores, sem se envolver diretamente. É um expectador dos acontecimentos, como se levasse notícias ao se lançar de um galho ao outro. Sua estratégia é fugir das situações de conflito, através da sociabilidade e do desejo de agradar aos outros, buscando o lado divertido dos acontecimento. E assim passa a vida!...

O cavalo já deixou de ser selvagem e não vive mais na floresta. Prefere o campo gramado (espiritualidade) , onde tem relva fresca, recebe a luz do sol (iluminação interior) e tem a água corrente do riacho que flui para o rio, que corre em direção ao mar, que a tudo dissolve... Segue o fluxo da vida!

 Em princípio, não há afinidade entre os três. É como se vivessem em dimensões paralelas, cada um olhando o mundo através da sua própria janela de percepção. Embora pertençam ao mesmo reino evolutivo, vibram em diferentes faixas de energia: O Leão é bem terreno e instintivo; o Macaco não leva as coisas muito a sério; o Cavalo procura agir e seguir o seu caminho. Apesar das incompatibilidades deste convívio, cada experiência encerra uma aprendizagem evolutiva e contribui para a integração entre os opostos, até que os  comportamentos se tornem complementares.

Ao Leão cabe observar o contexto e aprender a respeitar o espaço dos outros animais, direcionando a sua agressividade e capacidade de liderança, para metas construtivas; o Macaco, enquanto caça, precisa esvaziar o medo e confiar em suas estratégias de mediação de conflitos; ao Cavalo, cabe desenvolver paciência e compaixão para conviver com os aspectos mais instintivos dos outros dois. Assim é a evolução da consciência...

                                                     Sueli Meirelles, em 03 de Março de 2026.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

RELIGIÕES E ESTADOS DE CONSCIÊNCIA

 Foto do III Unificação - Congresso de Diálogo Inter-religioso, realizado em Nova Friburgo, em 27 e 28/07/2013.

 
            Um dos aspectos mais importantes da Transreligiosidade é o respeito a todas as Tradições Religiosas e a compreensão da função evolutiva de cada uma delas. Cada Tradição traz sua contribuição ao processo evolutivo, acolhendo cada ser humano, no momento em que ele se encontra, na escalada ascensional.
Dentro da Abordagem Transdisciplinar e Visão Integral do Ser Humano, cada Tradição Religiosa corresponde a um Estado de Consciência, que se expressa através da forma de culto que o caracteriza.
O primeiro estado de consciência, o material, está relacionado às glândulas supra-renais, aos bens materiais e à expressão concreta da fé, através da utilização de imagens ou ícones representativos dos arquétipos ou modelos, que são cultuados como Santos. Neste nível, a religiosidade também é expressa pelas ações sociais e solidárias, de ajuda material ao próximo. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o homem social e para a sociedade como um todo.
O segundo estado de consciência, o sexual, está relacionado às gônadas, ao prazer sensorial e à expressão da fé através dos cantos e ritos voltados para os cultos às forças da Natureza; aos Elementais do Fogo, da Água, do Ar e da Terra. Estas são tradições religiosas mais antigas, que em suas origens cultuavam a Grande Mãe, a divindade feminina que simboliza Gaia,  a Terra. Têm origens nos cultos das civilizações pagãs e matriarcais, que antecederam o surgimento histórico do patriarcado, há três mil anos atrás. Neste nível, o pensamento também é concreto e voltado para a Natureza.
O terceiro estado de consciência está relacionado ao Baço, às relações de poder, expressando a fé através da obediência a Entidades Personativas e de postura paternal, que cuidam daqueles que buscam a sua ajuda. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o Ser Humano, dentro de uma visão ancestral, cujas origens remontam à Atlântida e mão da África, como muitos imaginam.
O quarto estado de consciência está associado à glândula Timo, ao sistema imunológico, e à expressão da fé através do sentimento de inclusão do outro, considerado salvo pela Graça de Deus, independente do que ele tenha feito. Estas tradições têm a crença de que o arrependimento e a aceitação dos ensinamentos sagrados são suficientes para a salvação, anulando, através do perdão, todos os pecados anteriormente cometidos. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o Ser Humano, ainda dentro de uma visão patriarcal.
O quinto estado de consciência está associado à glândula Tireoide, ao conhecimento, ao poder do verbo e à compreensão racional das Leis Divinas. Considera que a evolução depende das obras realizadas por cada um, através da caridade ao próximo, e através do autocontrole consciente dos impulsos negativos. Neste nível, o pensamento é abstrato e voltado para o Ser Humano, dentro de uma visão de responsabilidade pela própria evolução
O sexto estado de consciência está associado à hipófise, à terceira visão e ao autoconhecimento. Considera que a compreensão das Leis de Deus ocorre através do processo de Iluminação Interior, quando a Individualidade permanente pode transparecer seus atributos, através da Personalidade, exercendo domínio sobre os desejos inferiores do Ego, até alcançar a transfiguração. Neste nível, o pensamento é abstrato e voltado para o encontro com o Self, dentro de uma visão de individuação, ou expressão de si mesmo.
O sétimo estado de consciência está associado à glândula Pineal e corresponde à expressão da dimensão espiritual do Ser, quando a religiosidade é expressa através do comando do verbo e das Energias Sagradas ou Atributos Divinos, para evoluir através do serviço grupal, realizado nos chamados Mundos Internos (Estado de Consciência de Unidade com tudo e com todos). Neste nível, o pensamento é abstrato e simbólico, voltado para a Humanidade, dentro de uma visão de Unidiversidade.
Como resultado da evolução espiritual, as melhores energias, de cada Ser, vão se acumulando num Corpo Causal, fora do corpo físico. Este oitavo centro de energia corresponde ao simbolismo da Pomba do Espírito Santo, cuja carga acumulada e transbordante de Amor, transmuta as partículas de matéria em energia, elevando-o através do fenômeno da Ascensão.
A ignorância da interligação entre os estados de consciência e as práticas religiosas vem gerando sectarismos e preconceitos, que podem se tornar muito perigosos, por nos reconduzirem ao obscurantismo do pensamento religioso da Idade Média, cujo triste resultado histórico foi a “Santa Inquisição”, quando, em nome de Deus, sacrificava-se o corpo, com a intenção de salvar-se a alma.
Principalmente no Brasil, este verdadeiro caldeirão cultural onde todas as religiões têm convivido pacificamente até agora, torna-se urgente que os líderes religiosos (aqueles que têm acesso ao conhecimento teológico) possam estar atentos para o esclarecimento das distorções, no sentido de que a população compreenda que independentemente da Tradição escolhida, todos somos irmãos, e podemos nos reunir em torno d’Aquele que representa a Síntese Religiosa para este difícil momento planetário, e que a este respeito, nos diz: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só  pastor” (João 9/16).

(*) Psicóloga Clínica Transpessoal, Hipnoterapeuta e Terapeuta de Regressão. Estudiosa dos fenômenos psicoespirituais há 39 anos. Escritora, Palestrante em autora de artigos, livros, lives  e blogs, integrando autoconhecimento profundo e espiritualidade.

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